quarta-feira, 21 de março de 2012

O que você precisa saber sobre NY vol I


Você precisa saber que a temperatura muda de repente. Você precisa saber que a arquitetura é magnífica. Você precisa saber que encontrará qualquer coisa que procurar, porém, você precisa saber que não é para visitar o “ponto zero” entre 8:00 am ou 10:00 am, pois correrá risco de atropelamento por “pés”.

Sim, NY é uma das cidades mais populosas do mundo. - Também não pode parar para atender o telefone no meio da Av. Lexington entre a 42th e 44th street, pois correrá o mesmo risco. Se sair da Grand Central nos horários de pico, somente ande para onde a multidão esteja andando, não importa, você pára para averiguar o mapa e a direção assim que avistar uma porta de qualquer lojinha, não páre nem para ver que tipo de loja, entre! Pode ser de brinquedos, café, perfumes, bebidas, revistas, já disse que não importa, salve-se e veja onde está.

Há uns meses fui a uma entrevista em downtown as 8:00 am da manhã, imaginem aquela delícia de metrô! Mas, para o metrô eu estava preparada, não estava preparada era para a enxurrada de gente saindo debaixo da terra, eu de um lado, e mais outros 5 a 10 corredores de saída do trem subterrâneo para a superfície. Você anda. O meu sapato era novo, como todo o visual para a promissora entrevista, só que o sapatinho resolveu dar um show de “atacação”, era de frente, de lado, atrás e eu andando, eu sentia as bolhas nascerem e estourarem, tudo isso sem saber muito se eu estava na direção certa, mas Manhattan neste horário só tem uma mão, a mão downtown. A vontade de parar para arrumar o “dito cujo” era imensa, mas ao espiar de rabo de olho aquela gente, gente mesmo, multidão atrás de mim, quase cheirando o meu cangote, um pânico me vinha e eu andava. Eu tentava enxergar uma árvore, um poste, uma coluna, uma parede para encostar, e era só parede de gente. Andei algumas boas milhas até conseguir cruzar da esquerda para a direita e entrar num café. E nessas horas eu quero socar as placas de push, porque eu sempre puxo! Claro que eu puxando a porta do café e todas as pessoas que saíram dos 5 a 10 escadas do metrô se afunilando nas ruas e andando freneticamente eu fui empurrada e atropelada umas 20 vezes, quase perdi minha bolsa, mas não caí.

Neste ponto não conseguia andar mais um quarteirão inteiro com aquele sapato, meu pé estava em carne viva, e eram os dois então não dava nem para mancar. Fui para a entrevista, porque nessas horas o corpo solta um “Q” de adrenalina que não te deixa tirar do foco maior – A entrevista – Fui arrastando os pés como se fossem patins. Não deu, parei na primeira loja de sapatos que avistei e achei um único par disponível do meu tamanho: uma sapatilha dourada com gliter dourado!!! Torci o nariz, baixei a cabeça e falei com vergonha: Eu vou levar.

Além da barra da calça ficar arrastando no chão, a sapatilha chamava mais atenção que EU, a entrevistada, não adiantava nem dar cambalhotas, a “brilhosa” me ofuscava.

Voltei para casa descalça, sem emprego, na contra-mão, mas fora do horário de pico.

Agora, você deve saber que em cada quarteirão da ilha você achará 2 Starbucks, as vezes do mesmo lado da rua, as vezes no lado contrário e para cada um Starbuck você achará 4 Dry Cleanears, 3 Nail Salon e 2 casas de massagens. Por fim entendi porque existem tantos serviços de massagem de pé! Foi lá que afoguei minha mágoa do dia, relaxei e deixei uma tip enorme para a massagista que sorria sem parar: uma sapatilha dourada de gliter

sábado, 17 de março de 2012

Também os Shortinhos

Estava terminando meu treino no transport da academia do clube, quando li um e-mail da Cris informando a mim e a DG que tinha um post sobre nossos shortinhos.

Confesso que até hoje tenho uma coleção deles! Jeans escuro, jeans claro, jeans branco, mais curtinho (mas não como os dos tempos relatados pela Cris), mais longuinhos e soltinhos... Enfim, sou MESMO fã deles. Minha cota de jeans economizada nas calças (acho que cabem nos dedos das mãos todas as que eu já comprei nesta vida) eu uso em shorts jeans.

Ansiosa que sou, sentei num banquinho do clube, ao lado de um casal da melhor idade para ler o post dos shortinhos jeans. Estava curiosa para saber qual era o approach dado pela amiga Cris às nossas inesquecíveis histórias de shortinhos.

Devo estar na TPM, porque meus olhos que já tinham marejado ao final do episódio da série que eu estava assistindo durante o transport (por sorte, eu estava num cantinho da academia, e acho que as lágrimas passaram despercebidas), se encheram de lagriminhas novamente. Lágrimas de saudades das amigas que eu já não vejo tanto e nostalgia pelos momentos felizes, leves e descompromissados que já vivi tão intensamente na companhia de tantas amigas queridas.

E, hoje, vou de shortinhos de novo para a festa de logo mais. Não seriam os jeans, mas depois deste post, talvez repense o outfit...

Os shortinhos da Juju (e os meus também!)

Eis que eu me deparo com este post (http://juliapetit.com.br/moda/fenomenos-da-moda-o-microshorts-jeans/) escrito pela Jana Rosa (a moça é repórter daquele programa apresentado pela Carol Ribeiro na MTV e sempre teve blogs engraçadíssimos, como o finado “Casa da Narcisa” http://casadanarcisa.wordpress.com/, e o “Agora que sou Rica” - não consigo mais achar o endereço, enfim...), que muito me fez lembrar a minha “codinomeada” amiga Juju e todos os shortinhos que já passaram pela nossa trajetória.
Somos adeptas da “peça”, a Juju muito mais do que eu, diga-se de passagem, e em tamanho sempre centímetros a menos do que os meus e os de qualquer outra amiga (fato este que precisa ser constantemente registrado porque é simplesmente impossível deixar de irritar a Juju comentando o tamanho - minúsculo! - dos seus shorts), muito embora ela possa encurtar tudo - como encurta! - porque, além de pequenina, tem as pernas em dia, requisito máster número um para portar o dito.

Mas, voltando ao post, o que gostei foi o fato de a menina de nome pitoresco ter desvendado e matado a charada do shortinho jeans. Ele realmente não é sinônimo de elegância e criatividade fashion, especialmente por integrar os 10 itens clássicos e eternos do guarda-roupa da piriguete (sobre os outros nove ainda preciso pensar...), mas, atire a primeira pedra quem nunca “pirigou” - com classe.. - nesta vida!
O que falta em elegância e inovação sobra em charme e sex appeal, ou seja, o que mais você precisa para “pirigar” - finamente... - na balada!? Nada! O shortinho jeans resume todas as suas necessidades e garante o sucesso da empreitada.
O único que tenho (já houve outro, mas o bichinho não resistiu a uma década de carnavais seguidos e faleceu faz tempo...) está comigo há quatro anos e dele nunca irei me desfazer. Esse é de estimação! Ele surgiu na minha vida emprestado e depois dado - tamanha a nossa sintonia e ajuste - em uma longa viagem que fiz com a Isa, irmãzinha que já virou um mulherão. Era verão, fazia um calor do cão e eu descobri que, numa das piores malas que já fiz nessa vida, não tinha trazido um único short. A Isa - que também fez uma das piores malas da vida, mas por excesso: tudo o que você imaginasse existia, no mínimo, em número de quatro naquela mala... - salvou a pátria, emprestando - e depois deixando comigo, já que eu seguiria viagem e ela voltaria... - o que veio a ser um companheiro de muitas aventuras. Ele é de um jeans médio e tem as barrinhas viradas e costuradas para fora. É curto - não como os da Juju, claro... (!!!) - e por ser soltinho e nada justo, é muito confortável, deixando de lado o gênero do “pirigo”.
Com ele, já fui da praia à “phesta phyna”; já usei com camisa branca e chapéu panamá, fazendo o tipo elegante&tropical; com peruca azul e camiseta da mulher maravilha, no estilo a louca mais feliz da noite; com camisa xadrez, cinto pesado e rasteirinha, no melhor do meu bohemian chic; com pouca modéstia e muito sucesso, de um tudo e de todos os jeitos, e também com muitas boas memórias, já que foi com ele que eu conheci o meu marido!
É ou não é um acessório “pegador”!? Juju, querida, use e abuse, sempre, e quanto mais curto, melhor!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Repetição

Cheiro de café aspirado diretamente do pacote. Quentura de água a ferver. Cheiro novamente sentido, coado e espalhado pela casa. Espreguiçar de cachorro. Cheiro de homem bonito vestindo-se para trabalhar. Cor de sol iluminando montanha. Quentura de aquecedor nos pés. Acordar acordando-me. Vagarosas sensações de amanhecer. Na cabeça, “Cotidiano” do Buarque. E o fazer todo dia tudo igual em dias diferentes. Sentar e escrever. Repito-me em novidades todas as manhãs, imergindo-me na diferença tênue de cada dia.

domingo, 11 de março de 2012

Primavera

Hoje quis ser um urso, poder entrar na toca e hibernar ate o inverno passar. Mas como urso nao sou, respiro fundo, renovo as esperancas e continuo a esperar. Vai embora vento frio, que vem sem avisar, entra sem ser convidado e gela a minha alma. Vem logo primavera, com suas belas flores e infinitas cores. Quero de volta o calor do sol para me esquentar. O urso quer sair da toca para brincar e minha alma quer voltar a cantar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Lost in Translation

Por que não somos educados na mesma língua? Esta época de globalização não ata nem desata, parece que ficou pela metade, tipo assim união européia.

Ela acha que fala inglês, estudou em curso particular, foi pro nível avançado, fez business english e com toda segurança foi explorar o país americano. No aeroporto a divergência da língua não é problema, ou melhor os “problemas” são previsíveis no capítulo 1 de todo curso básico de inglês. Já no taxi, aparece uma encrenquinha por causas dos sotaques, a rua 55 com fith avenue é um jogo de salivas de um lado e do outro.

Imersa no dia a dia nem o business english, podem salvá-la. No supermercado, é uma desgraça, nas primeiras vezes levou um tempo enorme para entender a função de cada produto de limpeza e quando descobria nascia um entusiasmo que já morria ali mesmo, com um sorriso que abre e fecha, ao perceber que dentro daquela categoria ainda existiam uns 5 tipos diferentes: tem o multi surface e o super multi surface vinegar, tem ainda o wood surface citrus, mas se é multi-surface porque que tem que ter um só para Wood? Porque nada nos EUA é branco e preto, nada é só leite, ou só café. Se quer um café precisa saber qual: colombiano; brasileiro; forte; expresso; americano; duplo; single; com leite; com creme ou com chantilly, Ah! Tem que decidir o tamanho, pequeno, médio e grande, tudo numa velocidade de Fórmula 1.

Ela queria fazer um bolo de cenoura. Foi comprar ovos. Ela só queria comprar ovos. Qual ovo? Além do branco e marrom, tem o com ómega 3; o large; o extra-large... O básico, simples, direto da galinha, não tem. A receita diz, em português que a farinha, é a de trigo, dessa vez, ela se fez de esperta e consultou o dicionário antes, farinha de trigo em inglês: whole flour, comprou, viu que tinha uma cor escura, mas... Uma vez pronto, do bolo só deu para aproveitar o cheiro , porque o gosto era de fibrax com alpiste.

E como explicar para a manicure: não cortar, só lixa-la – L-I-X-A-R, entende? Mímicas e frustrações se somam.

Ela passou meia hora explicando para ele porque a planta que compraram juntos é menina e não menino. Ele passou dando risada da conversa dela com o garçon: - Mr. Do you have mattress? - What? O moço de americano socorreu – She wants matches, I guess. Ela falou que desejava estudar a história americana e ele descobriu que ela comprou um livro sobre a história dos gays americanos: “Modern American Queer History”. O Push sempre vai ser Puxe, não tem jeito, nem dando portada na cara.

Os piores jantares são com os amigos dele, especificamente os Brits (ingleses); todos empolgados falando rápido, com muitas gírias e sotaques, ela baba e bebe.

Agora decidiu se inscrever em outro curso de inglês. E todo mundo contesta: Seu inglês já deve estar afinadíssimo. Não mesmo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Michel Grin Antiques Art-Déco






Como o espírito dos Années Folles ainda reina no intrínseco, resolvi seguir seus passos e descobrir onde Lausanne cheira à déco.

Primeira descoberta: Michel Grin Antiques Art-Déco

Este divertido e charmoso antiquário situa-se no número 21 da Rue de Geneve, em um dos antigos armazéns do Flon, bairro revitalizado e “muderno” da cidade (logo mais, farei post contando mais sobre a Ville), e atua em três frentes: antiquário especializado em mobiliário do séc. XX, com nítido favoritismo por referências déco, embora, vez ou outra, namore com um pop; espaço um pouco brechó, um pouco antiquário, onde você encontra uma quantidade admirável daquelas malas armários do séc. XIX (http://www.la-malle-au-tresor.ch/ - para pegar o seu Orient Express rumo a Veneza, já que o trenzinho passava por Lausanne!); e, café, onde você senta e se aconchega, enquanto belisca a sua tortinha de amêndoas e beberica o seu cafezinho.

Entre as suas peças, encontramos réplicas e originais do estilo art-déco que podem ser identificadas (identificação feita por uma abelhuda que pouco sabe, mas... que tudo vê!) pela limpeza das linhas e formas, combinadas a madeiras nobres, lacas e marfins; ornadas por motivos naturais, geométricos, orientais e pelo então exótico que hoje virou étnico.

Sejam elas funcionais ou meramente decorativas, o que me atrai nelas é a aura moderna e ao mesmo tempo antiguinha que todas elas carregam, como se desejassem ser de agora, mas pertencessem mesmo ao lá atrás.

Para abelhudos como eu que queiram saber mais sobre esse estilo (cujo nome foi calcado na denominação da própria exposição onde pela primeira vez foi apresentado, no caso, a Exposição de Artes Decorativas e Industriais Modernas de Paris, de 1925), achei essas fontes “internéticas” interessantes e confiáveis:

Victoria&Albert Museum - resumo de uma mostra déco:

Ruhlmann - site em referência às criações de Jacques-Emile Rulmann, citado como um dos maiores criadores de mobiliário francês:
Claudia Porto - um pouquinho de história da arte:
Quem souber de algo mais, por favor, conte-me que também quero saber!

E aguardem as próximas descobertas ainda em ritmo de jazz e charleston!