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quinta-feira, 8 de março de 2012

Michel Grin Antiques Art-Déco






Como o espírito dos Années Folles ainda reina no intrínseco, resolvi seguir seus passos e descobrir onde Lausanne cheira à déco.

Primeira descoberta: Michel Grin Antiques Art-Déco

Este divertido e charmoso antiquário situa-se no número 21 da Rue de Geneve, em um dos antigos armazéns do Flon, bairro revitalizado e “muderno” da cidade (logo mais, farei post contando mais sobre a Ville), e atua em três frentes: antiquário especializado em mobiliário do séc. XX, com nítido favoritismo por referências déco, embora, vez ou outra, namore com um pop; espaço um pouco brechó, um pouco antiquário, onde você encontra uma quantidade admirável daquelas malas armários do séc. XIX (http://www.la-malle-au-tresor.ch/ - para pegar o seu Orient Express rumo a Veneza, já que o trenzinho passava por Lausanne!); e, café, onde você senta e se aconchega, enquanto belisca a sua tortinha de amêndoas e beberica o seu cafezinho.

Entre as suas peças, encontramos réplicas e originais do estilo art-déco que podem ser identificadas (identificação feita por uma abelhuda que pouco sabe, mas... que tudo vê!) pela limpeza das linhas e formas, combinadas a madeiras nobres, lacas e marfins; ornadas por motivos naturais, geométricos, orientais e pelo então exótico que hoje virou étnico.

Sejam elas funcionais ou meramente decorativas, o que me atrai nelas é a aura moderna e ao mesmo tempo antiguinha que todas elas carregam, como se desejassem ser de agora, mas pertencessem mesmo ao lá atrás.

Para abelhudos como eu que queiram saber mais sobre esse estilo (cujo nome foi calcado na denominação da própria exposição onde pela primeira vez foi apresentado, no caso, a Exposição de Artes Decorativas e Industriais Modernas de Paris, de 1925), achei essas fontes “internéticas” interessantes e confiáveis:

Victoria&Albert Museum - resumo de uma mostra déco:

Ruhlmann - site em referência às criações de Jacques-Emile Rulmann, citado como um dos maiores criadores de mobiliário francês:
Claudia Porto - um pouquinho de história da arte:
Quem souber de algo mais, por favor, conte-me que também quero saber!

E aguardem as próximas descobertas ainda em ritmo de jazz e charleston!




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Vontade de 1920!

Bateu uma vontade de 1920! Vontade curiosa de saber um pouco mais sobre esse tempo onde as saias encurtaram, as meninas passaram a usar batom vermelho e a dizer descaradamente o que pensavam, enquanto dançavam ao som de jazz e charleston.
A Primeira Grande Guerra havia acabado e o mundo respirava com alívio, espanto, medo, encantamento e euforia. Alívio pelo fim. Espanto pelo número de mortos produzido pela primeira das guerras tecnológicas. Medo do que estava por vir. Encantamento com o poderio americano e o advento de uma indústria de consumo. Euforia em viver cada dia como se fosse o último.
E foi assim que, até a quebra da bolsa em 1929, parte do mundo viveu a Jazz Age dos States e os Années Folles da França, para onde podemos voltar sempre que lemos Fitzgerald e os seus This Side of Paradise, The Great Gatsby, Tender is the Night..., e sentimos o glamour e o exagero da época, a embrionária emancipação e ousadia das fêmeas, a vontade do “novo” sentida por uma juventude dita perdida pelo próprio autor que, juntamente com a sua Zelda, festejou com essa mesma juventude mais do que ninguém, extasiados e desnorteados, como que para esquecer a crueldade e a falta de sentido trazidas pela guerra, ao mesmo tempo que celebravam e usufruíam a pujança de um mundo que crescia e enriquecia.
Foi em meio a essa tentadora e louca balbúrdia, regada a muita champagne e boêmias sem fim, que floresceu no mundo o modernismo de escritores como o próprio Fitzgerald e seu amigo Hemingway;  o surrealismo de Dalí; o cubismo de Picasso... E a arquitetura e as chamadas artes decorativas viram surgir uma nova estética, chamada art-déco, que influenciada por ideias modernistas e funcionais, geométricas e meramente belas, criou o conceito do “simples, porém sofisticado”, dando forma a móveis, luminárias e balangandãs de todos os tipos e harmonias possíveis, além de construções únicas como, ele mesmo, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, o Empire State Building e o Chrysler Building em Nova York, entre outras pelo mundo a fora.
E para não dizer que não falei de flores, ah... os vestidos!: o jeitinho melindrosa de ser; a liberdade de não usar mais os corpetes do início do século; as pernas que se deixavam à mostra, transformando tornozelos em objetos de desejo; o tom claro das meias antecipando vontades de pele de fora; a soltura dos vestidos que mesmo larguinhos, delineavam um corpo ávido por se exercer livremente; as franjas que dançavam conforme as notas dos saxofones; o luxo dos acabamentos para fazer bonito nas festas; delicadeza, feminilidade, leveza, sedução! Sem falar em Coco Chanel inventando o que usamos hoje, simplificando a complicação de outrora, vestindo e preparando, com adequação e estilo, essa mesma mulher, para que ela pudesse realizar as suas vontades e tomar as rédeas do seu destino.

Bateu essa vontade de 1920 porque, talvez, de forma inversa, sem pujança e em crise, ou ainda não sentindo o efeito total da crise, após tempos economicamente exuberantes, ainda vivamos um pouco desse mesmo hedonismo. Ou porque épocas incertas, como as de hoje, incitem um pouco dessa vontade de festejos sem fim; de consumo sem fim; de exibição sem fim... Quiçá, só pelo hedonismo, inegavelmente presente todos os dias. Ou ainda em razão da incerteza do presente gerar essa inveja nostálgica dos que festejavam sem se preocupar. São muitos os “talvez” e nenhuma é a “certeza” da origem dessa vontade, porque não sou capaz, como Fitzgerald o foi, de prever todo um tempo e sobre ele escrever mediunicamente, antes mesmo que ele começasse. O que sei é que tenho essa vontade e que a história, inegavelmente, repete-se, embora variando em seus motivos e nuances...
E o que sei também é que não sou a única com esse desejo, pois tenho sentido com uma certa frequência esse perfume por aí, seja no remake de The Great Gatsby estrelado por DiCaprio, e com lançamento agendado para dezembro deste ano; na bela coleção primavera-verão 2012 da Gucci, que não só remete a elementos déco como usa e abusa das formas de 20, traduzidas maravilhosamente para a festa de agora; na também leve coleção para a mesma estação da Ralph Laurent, inspirada na personagem feminina principal de The Great Gatsby, Daisy Buchanan (aliás, Ralph Laurent assinou o lindo figurino da primeira versão do filme, com Robert Redford e Mia Farrow); no próprio The Artist que me encantou no final de semana passado; no engraçadinho Midnight in Paris do Woody Allen, enfim, os anos 1920 estão soltos por aí e vale apreendermos o que de melhor eles deixaram!